quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Erros Que os Críticos da Bíblia Devem Evitar II


                                                                                                                                         











Erro número 6: Basear um ensino numa passagem obscura.
        
Algumas passagens da Bíblia são difíceis porque o seu significado é obscuro. Isso ocorre geralmente porque uma palavra-chave do texto é empregada uma só vez (ou raramente), e então fica difícil saber o que o autor está dizendo, a menos que seja possível deduzir o sentido pelo contexto. Por exemplo, uma das passagens mais conhecidas da Bíblia contém uma palavra que não aparece em lugar algum, em toda a literatura grega disponível até o tempo em que o NT foi escrito. Esta palavra aparece no que comumente é conhecido como a "Oração do Senhor" (Mt 6:11). Geralmente a tradução que temos é "o pão nosso de cada dia dá-nos hoje". A palavra em questão é a que é traduzida por "de cada dia", ou seja, o vocábulo grego epiousion. Os estudiosos do grego ainda não entraram em acordo quanto à sua origem ou quanto ao seu exato sentido. Diferentes comentaristas têm tentado estabelecer elos com palavras gregas que são bem conhecidas, e muitas sugestões têm sido propostas quanto ao seu significado. Entre tais sugestões, temos:

"Nosso pão incessante dá-nos hoje."
"Nosso pão sobrenatural (indicando um pão espiritual, do céu) dá-nos hoje."
"O pão para o nosso sustento dá-nos hoje."
"O pão nosso de cada dia (ou, o que necessitamos para hoje) dá-nos hoje."

        
Cada uma destas propostas tem seus defensores; cada uma faz sentido dentro do contexto, e cada uma é uma possibilidade, tendo-se por base a limitada informação disponível. Parece não haver nenhuma razão que nos force a deixarmos aquela que tem sido a tradução normalmente aceita, mas este exemplo serve muito bem para ilustrar o ponto em questão. Algumas passagens da Bíblia são difíceis de se entender porque uma dada palavra-chave aparece uma só vez, ou com muita raridade.
        
Outras vezes as palavras podem estar claras, mas o significado não é evidente porque não sabemos ao certo a que elas se referem. Isso se dá em 1 Co 15:29, onde Paulo fala sobre os que se batizavam pelos mortos. Será que ele estava se referindo ao batismo de pessoas vivas, representando pessoas mortas que não tinham sido batizadas, e assim assegurando-lhes a salvação (como dizem os mórmons)? Ou será que ele está se referindo aos que, sendo batizados, entram na igreja para preencher o lugar dos que partiram? Ou ainda, não seria o caso de ele estar referindo-se aos crentes sendo batizados "pelos mortos" no sentido de "suas próprias mortes, sendo enterrados com Cristo"? Ou, quem sabe, poderia estar dizendo alguma outra coisa?
        
Quando não temos certeza, então temos de ter em mente algumas coisas. Primeiro, não devemos construir uma doutrina com base numa passagem obscura. A regra prática na interpretação bíblica é: "as coisas principais são as coisas claras, e as coisas claras são as coisas principais". Chamamos a isso de perspicuidade (clareza) das Escrituras. Se algo for importante, isso será ensinado nas Escrituras de forma bem clara, § provavelmente em mais de um lugar.

Segundo, quando uma dada passagem não está clara, não devemos nunca supor que ela esteja ensinando o contrário do que uma outra parte nos ensina com muita clareza. Deus não comete erros na sua Palavra; mas nós podemos cometer erros ao tentarmos interpretá-la.

Erro número 7: Esquecer-se de que a Bíblia é um livro humano, com características humanas.

Exceto pequenas seções, tal como os Dez Mandamentos, que foram escritos "pelo dedo de Deus" (Êx 31:18), a Bíblia não foi verbalmente ditada.  Seus escritores não foram secretários do Espírito Santo. Eles foram autores humanos, que empregaram estilos literários próprios, com suas próprias idiossincrasias, ou seja, com o seu jeito de ver as coisas. Esses autores humanos às vezes tomaram informações de fontes humanas para o que escreveram (Js 10:13; At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). De fato, cada livro da Bíblia é uma composição feita por um escritor humano;   foram cerca de quarenta autores.
        
A Bíblia evidencia também estilos literários humanos diferentes; da métrica melancólica de Lamentações até a exaltada poesia de Isaías; da gramática elementar de João ao complexo grego do livro de Hebreus. As Escrituras manifestam ainda perspectivas humanas. No Salmo 23, Davi falou do ponto de vista de um pastor. Os livros de Reis foram escritos tendo uma abordagem profética, e Crônicas, a partir de um ponto de vista sacerdotal. Atos manifesta um enfoque histórico, e 2 Timóteo, o coração de um pastor.
        
Os escritores bíblicos escreveram sob a perspectiva de um observador quando se referiram ao nascer do sol (Js 1:15) ou ao pôr-do-sol. Eles também revelam padrões humanos de pensamento, inclusive lapsos de memória (1 Co 1:14-16), bem como emoções humanas (Gl 4:14). A Bíblia revela interesses humanos específicos. Por exemplo, Oséias possuía um interesse rural, Lucas, uma preocupação médica, e Tiago, um amor pela natureza.
        
Como Cristo, a Bíblia é completamente humana, mas mesmo assim sem erros. Esquecer-se da humanidade das Escrituras pode levar-nos a impugnar falsamente sua integridade por esperarmos um nível de expressão maior do que é o usual num documento humano. Isso vai ficar mais claro quando abordarmos os próximos erros em que incidem os críticos.

Erro número 8: Assumir que um relato parcial seja um relato falso.

Com freqüência, os críticos tiram conclusões precipitadas com respeito a um relato parcial, tomando-o como falso. Entretanto, não é bem assim. Do contrário, quase tudo o que se tenha dito seria falso, já que poucas vezes há tempo e espaço suficientes para uma abordagem completa.
Ocasionalmente, a Bíblia expressa a mesma coisa de diferentes modos, ou pelo menos de diferentes pontos de vista, em tempos distintos. Portanto, a inspiração não exclui diversidade de expressão. Cada um dos quatro autores do Evangelho relata a mesma história de uma maneira diferente, para um grupo diferente de pessoas, e às vezes citam o mesmo incidente com palavras diferentes. Compare, por exemplo, aquela famosa confissão de Pedro no Evangelho segundo:

Mateus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (16:16).
Marcos: "Tu és o Cristo" (8:29).
Lucas: "És o Cristo de Deus" (9:20).

Até mesmo os Dez Mandamentos, os quais foram escritos "com o dedo de Deus" (Dt 9:10), quando entregues, pela segunda vez, apresentam-se com variações (compare Êx 20:8-11 com Dt 5:12-15). Há muitas diferenças entre os livros de Reis e de Crônicas nas descrições que eles fazem dos mesmos eventos; contudo, não incidem em nenhuma contradição nos acontecimentos que narram. Se expressões assim tão importantes puderam ser feitas de maneiras diferentes, então não há por que o restante das Escrituras ter de expressar a verdade apenas de uma forma literal e inflexível em sua abordagem.

Erro número 9: Exigir que as citações do Antigo Testamento feitas no Novo Testamento sejam sempre exatas.

Os críticos com freqüência apontam para as variações ocorridas quando o NT cita passagens do AT, como provas de erro. Entretanto, se esquecem de que uma citação não tem de ser uma repetição exata do que está escrito. Era então, como é hoje, perfeitamente aceitável o estilo literário que dá a essência de uma afirmação ou pensamento, sem que se empregue precisamente as mesmas palavras. Um mesmo significado pode ser transmitido sem o uso das mesmas expressões verbais.
As variações que ocorrem nas citações de textos do AT feitas no NT enquadram-se em diferentes categorias. Às vezes é outra pessoa que está falando. Por exemplo, Zacarias registra que o Senhor está dizendo: "olharão para mim, a quem traspassaram" (Zc 12:10). Quando isto é citado no NT, é João - e não Deus - que está falando: "verão aquele a quem traspassaram" (Jo 19:37).
        
Outras vezes os escritores do NT citam apenas uma parte do texto do AT. Jesus fez isso quando esteve na sinagoga da cidade de Nazaré (Lc 4:18-19/ citando li 61:1-2). De fato, ele parou no meio de uma sentença. Se tivesse ido mais além, Jesus não poderia ter dito o que disse em seguida: "Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir" (v. 21). É que, precisamente, a continuação daquela frase - "e o dia da vingança do nosso Deus" - é uma referência à sua segunda vinda.

Algumas vezes, o NT parafraseia ou resume um texto do AT (por exemplo, Mt 2:6). Outras vezes, mistura dois textos em um (Mt 27:9-10). Ocasionalmente, uma verdade geral é mencionada sem a citação de um texto específico. Por exemplo, Mateus diz que Jesus mudou-se para Nazaré "para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno" (Mt 2:23). Note que Mateus não cita um determinado profeta, mas sim "profetas" em geral, de modo que seria inútil insistir na procura de um determinado texto do AT em que esta profecia fosse encontrada.
        
Também há momentos em que o NT aplica um texto de um modo diferente em relação ao AT. Por exemplo, Oséias aplica "do Egito chamei o meu filho" à nação messiânica e Mateus, ao produto daquela nação, o Messias (Mt 2:15 e Os 11:1). Em caso algum, porém, o NT interpreta de forma errada ou não aplica corretamente o AT, nem ainda tira qualquer conclusão do que não esteja presente naquele texto. Em resumo, o NT não comete erros quando cita o AT, como acontece quando os críticos citam o NT.

Erro número 10: Assumir que diferentes narrações sejam falsas.

Pelo simples fato de divergirem entre si duas ou mais narrações do mesmo acontecimento, isso não significa que elas sejam mutuamente exclusivas. Por exemplo, Mateus (28:5) diz que havia um anjo junto ao túmulo de Jesus depois da ressurreição, ao passo que João nos informa de que havia dois (20:12). Não há, porém, nenhuma contradição. De fato, há uma infalível regra matemática que facilmente explica este problema: onde quer que haja dois, sempre há um - e nisso não existe erro! Mateus não diz que havia apenas um anjo. É necessário acrescentar a palavra "apenas" no registro dele para fazê-lo entrar em contradição com o de João. Mas, se o crítico vem até a Bíblia para mostrar os erros dela, então o erro não está na Bíblia, mas sim no crítico.
        
De igual forma, Mateus (27:5) nos informa de que Judas enforcou-se. Mas Lucas diz que Judas, "precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram" (At 1:18). Uma vez mais, estes dois relatos diferem entre si, mas não são mutuamente exclusivos. Se Judas enforcou-se numa árvore à beira de um penhasco, e se o seu corpo caiu em pontudas rochas embaixo, então suas entranhas se derramaram para fora, da maneira como tão bem Lucas descreve.


Texto extraído do livro: Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia.
Autores: Norman Geisler e Thomas Howe.
Editora: Mundo Cristão.

Erros Que os Críticos da Bíblia Devem Evitar I
















Há Dificuldades Na Bíblia? Sim!

Ainda que a Bíblia seja a Palavra de Deus e, como tal, nela não possa haver erro algum, isso não significa que nela não haja dificuldades. Todavia, como Agostinho observou com sabedoria: "Se estamos perplexos por causa de qualquer aparente contradição nas Escrituras, não nos é permitido dizer que o autor desse livro tenha errado; mas ou o manuscrito utilizado tinha falhas, ou a tradução está errada, ou nós não entendemos o que está escrito". Os erros não se acham na revelação de Deus, mas nas falhas interpretações dos homens.
          
A Bíblia é isenta de erros, mas os que a criticam não são. Todas as alegações feitas nesse sentido baseiam-se em erros cometidos pelos próprios críticos. Tais erros enquadram-se numa das seguintes principais categorias:

Erro número 1: Assumir que o que não foi explicado seja inexplicável.

Nenhuma pessoa instruída alegaria ser capaz de explicar completamente todas as dificuldades bíblicas. Contudo, é um erro o crítico pressupor que o que não foi ainda explicado nunca o será. Quando um cientista se depara com uma anomalia na natureza, ele não desiste de fazer cuidadosos exames científicos adicionais. Pelo contrário, ele faz uso daquilo que não foi explicado como uma motivação para descobrir uma explicação. Nenhum cientista verdadeiro desiste de seu trabalho, em desespero, simplesmente porque não consegue explicar um dado fenômeno. Ele continua a fazer pesquisas com a confiante expectativa de encontrar uma resposta. E a história da ciência tem revelado que tal fé tem sido recompensada.

Houve épocas em que os cientistas, por exemplo, não tinham explicação para fenômenos naturais como os meteoros, os eclipses, os tornados, os furacões e os terremotos. Todos esses mistérios, porém, renderam os seus segredos à inabalável perseverança da ciência. Os cientistas ainda não sabem como a vida pode ocorrer em descargas térmicas nas profundezas do mar, mas nenhum deles se dá por vencido e grita: "é uma contradição!"

Da mesma forma, os eruditos cristãos pressupõem que o que até hoje não foi explicado na Bíblia não é, por isso, inexplicável. Não consideram que discrepâncias sejam contradições. E, quando encontram algo que não podem explicar, continuam pesquisando na certeza de que algum dia encontrarão a resposta. Com efeito, se tivessem uma postura contrária a esta, parariam de estudar.

Por que ir em busca de uma resposta, quando se pressupõe que ela não exista? Tal como o cientista, aquele que estuda a Bíblia tem sido recompensado em sua fé e pesquisa, pois muitas dificuldades para as quais os eruditos não tinham explicação já foram superadas através da história, da arqueologia, da lingüística e de outras disciplinas. Os críticos, por exemplo, um dia afirmaram que Moisés não poderia ter escrito os cinco primeiros livros da Bíblia porque a escrita ainda não existia na época dele. Agora sabemos que a escrita já existia alguns milhares de anos antes de Moisés.

De igual forma, os críticos um dia acreditaram que a Bíblia estivesse errada ao falar dos hititas (ou heteus), já que esse povo era totalmente desconhecido dos historiadores. Sua existência, porém, foi comprovada pela descoberta, na Turquia, de uma biblioteca hitita. Esses fatos nos levam a crer que as dificuldades bíblicas ainda não resolvidas certamente são explicáveis e que, portanto, não há que se presumir que existam erros na Bíblia.

Erro número 2: Presumir que a Bíblia é culpada, até prova em contrário.

Muitos críticos presumem que a Bíblia está errada, até que algo venha provar que ela está certa. Contudo, como acontece com qualquer cidadão acusado de um crime, a Bíblia deve ser tida como "inocente", até que haja a prova da culpa. Isso não é querer dar-lhe nenhum tratamento especial; essa é a forma pela qual todos os relacionamentos humanos são feitos. Se assim não fosse, a vida não séria possível. Por exemplo, se presumíssemos que a sinalização de trânsito nas rodovias ou na cidade não fosse verdadeira, então provavelmente estaríamos mortos antes de poder provar o contrário.

De igual modo, se presumíssemos que os rótulos nas embalagens de alimentos fossem enganosos até prova em contrário, teríamos então de abrir todas as latas e pacotes antes de comprá-los. E o que dizer se presumíssemos que todos os números no nosso dinheiro estivessem errados? E se achássemos que estariam erradas todas as placas nas portas dos sanitários públicos, que indicam o sexo a que se destinam?! Bem, isto já é o bastante.
          
Temos de presumir que a Bíblia, como qualquer outro livro, está nos dizendo o que os autores disseram e ouviram. As críticas negativas da Bíblia partem de um pressuposto contrário a este. Não é de se admirar, então, que concluam que a Bíblia está crivada de erros.

Erro número 3: Confundir as nossas falíveis interpretações com a infalível revelação de Deus.
          
Jesus afirmou que "a Escritura não pode falhar" (Jo 10:35). Sendo um livro infalível, a Bíblia é também irrevogável. Jesus declarou: "Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra" (Mt 5:18, cf. Lc 16:17). As Escrituras têm ainda a autoridade final, sendo a última palavra acerca de tudo que ela aborda. Jesus valeu-se da Bíblia para resistir ao tentador (Mt4:4,7,10); para resolver discussões doutrinárias (Mt 21:42); e para sustentar a sua autoridade (Mc 11:17).
          
Às vezes um ensinamento bíblico apóia-se num pequeno detalhe histórico (Hb 7:4-10), numa palavra ou numa frase (At 15:13-17), ou mesmo na diferença entre o singular e o plural (Gl 3:16). Mas, conquanto a Bíblia seja infalível, as interpretações humanas não o são. A Bíblia não pode estar errada, mas nós podemos estar errados quanto a alguma coisa dela. O significado da Bíblia nunca muda, mas a nossa compreensão pode mudar.
          
Os seres humanos são finitos, e seres finitos cometem erros. É por isso que há borrachas para lápis, corretores líquidos para textos datilografados, e uma tecla "apaga" nos computadores. E muito embora a Palavra de Deus seja perfeita (Sl 19:7), enquanto existirem seres humanos imperfeitos, haverá erros de interpretação das Escrituras e falsos pontos de vista deles decorrentes.
          
Em vista disso, não devemos nos apressar em considerar que um determinado preceito científico hoje amplamente aceito seja a palavra final acerca do ponto em questão. Teorias que foram predominantemente aceitas no passado são consideradas incorretas por cientistas do presente. Dessa forma, é de se esperar que haja contradições entre opiniões populares sobre questões científicas e as interpretações da Bíblia amplamente aceitas.
          
Isso, porém, não consegue provar que há uma real contradição entre o mundo de Deus e a Palavra de Deus, entre a revelação geral de Deus e a sua revelação especial. Nesse sentido básico, a ciência e as Escrituras não estão em contradição. Somente as opiniões humanas, finitas e falíveis acerca da ciência e das Escrituras é que podem entrar em contradição.

Erro número 4: Falhar na compreensão do contexto da passagem.
          
Talvez o erro mais comum dos críticos seja o de tirar um texto de seu próprio contexto. Como diz o adágio: "um texto fora de contexto é simplesmente um pretexto". Tudo se pode provar, a partir da Bíblia, por meio desse procedimento errôneo. A Bíblia diz: "Não há Deus" (SI 14:1). É claro, que o contexto é: "Diz o insensato no seu coração: 'Não há Deus'". Alguém poderá afirmar que Jesus nos advertiu: "não resistais ao perverso" (Mt 5:39), mas o contexto anti-retaliatório em que ele lança esta proposição não deve ser ignorado. Assim também muitos não compreendem corretamente o contexto da afirmativa de Jesus, quando ele disse: "Dá a quem te pede" (Mt 5:42), como se tivéssemos a obrigação de dar uma arma a uma criancinha que nos pedisse, ou de dar armamentos atômicos a Saddam Hussein simplesmente por ele ter pedido.
          
O erro de não observar que o significado é determinado pelo contexto é, talvez, o principal pecado daqueles que encontram erros na Bíblia, como os comentários de numerosas passagens bíblicas neste livro vão ilustrar.

Erro número 5: Deixar de interpretar passagens difíceis à luz das que são claras.
          
Algumas passagens das Escrituras são de difícil compreensão. Às vezes a dificuldade é por serem obscuras. Outras vezes a dificuldade está em que uma passagem parece estar ensinando algo contrário ao que uma outra parte da Escritura ensina com clareza. Por exemplo, Tiago parece estar dizendo que a salvação é pelas obras (Tg 2:14-26), ao passo que Paulo ensinou com toda a clareza que é pela graça (Rm 4:5; Tt 3:5-7; Ef 2:8-9). Neste caso, Tiago não deve ser interpretado de maneira a contradizer Paulo. O apóstolo Paulo está falando da justificação perante Deus (o que é pela fé somente), ao passo que Tiago está se referindo à justificação perante os homens (que não têm como ver a nossa fé, mas somente as nossas obras).
          
Um outro exemplo encontra-se em Filipenses 2:12, em que Paulo diz: "desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor". Aparentemente isto parece estar dizendo que a salvação é pelas obras. Contudo, inúmeras passagens das Escrituras claramente contradizem tal idéia, pois afirmam: "salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8-9); "ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça" (Rm 4:5); "não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, [é que] ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tt 3:5).
          
Quando esta frase de difícil compreensão - "desenvolvei a vossa salvação" - é entendida à luz dessas passagens tão claras, podemos ver que, qualquer que seja o significado dela, uma coisa é certa: ela não significa que somos salvos pelas obras. De fato, o seu significado é encontrado precisamente no versículo seguinte. Temos de desenvolver a nossa salvação porque a graça de Deus tem operado em nosso coração. Nas próprias palavras de Paulo: "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).


Texto extraído do livro: Manual popular de dúvidas, enigmas e "contradições" da Bíblia.
Autores: Norman Geisler e Thomas Howe.
Editora: Mundo Cristão.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Deus bíblico é imoral?

















Alguns dizem que o Deus do antigo testamento é um sádico, malvado, manipulador, racista, genocida e usam outros impropérios mais, para depreciar a imagem do criador, reclamando de situações como a descrita no livro de Josué onde Deus ordenou a completa destruição dos cananeus (Js 6. 21). Só há um problema aqui. Se existe um Deus e ele tem um padrão a ser seguido, visto que é o autor e soberano sobre tudo, ele é também o juiz de todos, tem autoridade para tal e sabe todas as coisas, isso se considerarmos o Deus cristão.

O maior problema dos tais irreverentes é que se esquecem de Jesus. Ele mesmo confirmou que o antigo testamento era inspirado por Deus (Mt 5. 17), logo tudo que está relatado sobre Deus e seus feitos era aprovado por Jesus que se dizia seu filho. Então porque Jesus não ensinou e fez as mesmas coisas que o Deus do antigo testamento? E ele não fez?

Sim, ele fez, mas consigo mesmo! Ai está a prova do amor de Deus. Quando Deus decidiu que iria enviar seu filho para pagar o preço justo pelos pecados de todos que se arrependessem ou cressem nele, desde o antigo testamento, Ele demonstrou que era e é, não só justo, como amoroso. “Por que Deus amou o mundo (os homens que criou) de tal maneira que deu seu filho unigênito...” (Jo 3,16). A bíblia também diz que no evangelho se descobre a justiça de Deus (Rm 1.16). Deus é tão justo que se sacrificou a si mesmo, morrendo numa cruz para pagar o preço que nós não poderíamos pagar. Tendo em vista essa demonstração da parte de Deus, estamos cientes que o que aconteceu no antigo testamento tem sim a sua justificação. Embora não soubéssemos explicar o que pretendia Deus e o que se passou pela mente dos Israelitas quando em alguns momentos da história hebreia Jeová os mandou exterminar toda uma nação, não podemos dizer categoricamente que o soberano não tem suas razões ou que as ordens para fazê-lo não foram dadas por Deus. Podemos não saber o que Ele estava fazendo, afinal Ele é oniciente. No entanto algumas pessoas preferem esquecer o que aconteceu a Jesus e passam a legislar uma moral sem base objetiva alguma, pois não existem valores morais absolutos se Deus não existir. 


O que estamos dizendo é que em Jesus nós vemos a consumação das promessas de Deus feitas no antigo testamento, principalmente a que diz que ele salvaria o mundo dos seus pecados através de sua morte e ressurreição. Sendo verdade que Jesus sofreu uma morte horrível, mesmo inocente, para que todos fôssemos salvos da condenação eterna, Deus deve ser muito justo e podemos não estar a par de todos os seu pensamentos e conhecimento quando dá as suas ordens. No fim das contas o que muitos dos novos ateus dizem é que a moral cristã é inaceitável, visto ser algo impraticável no mundo moderno, ou seja, se Deus mandasse alguém fazer isso hoje ninguém aceitaria que essa ordem veio de Deus. Bem, Deus não passou toda a história de Israel mandando eles fazerem atrocidades, pelo contrário a lei de Moisés, que foi passada a ele por Deus, é para o mundo ocidental uma base para a legislação. Os estudantes de direito são aconselhados a ler a bíblia! Onde está o mandamento de cristo ordenando que nós matemos os nossos inimigos hoje?

Deus age de acordo com cada época da história humana e de acordo com as circunstâncias em que se encontram os homens. Ah então Deus está sujeito a mudanças de acordo com a maneira do homem agir? Não. Mas Ele não restringe a liberdade humana contra a sua vontade. Quando o povo hebreu pediu um rei, não querendo mais o governo teocrático, Deus assim permitiu e ainda sim legislou para os reis de acordo com as suas (do povo) vontades. Não queriam um rei? Pois terão! Tomem a lei para os reis de Israel. Observe bem caro leitor; Irão para o céu aqueles que disserem: Senhor seja feita a tua vontade, porem irão ao tormento eterno aqueles aos quais Deus disser: Seja feita a tua vontade!

No caso dos reis o Senhor deixou Israel como eles queriam e só lhes veio muito mais desgraça. Porém no caso das guerras Deus ordenou a destruição de todos os cananeus por motivos dEle, ao que se sabe os daquela região matavam suas próprias crianças em sacrifício aos seus deuses e eram extremamente imorais perante o Deus de Israel. Será que Deus não tinha justiça garantida para seus atos? Não culpemos o povo Israelita, Deus é que deu as ordens. Não temos como demonstrar que Deus não sabia o que era o melhor no final das contas. Além do mais nós temos Cristo crucificado que aponta para o alto grau de amor e de justiça de Deus. Deveríamos olhar com mais cuidado o evangelho e a pessoa de Jesus Cristo. Temos visto Jesus ensinar o amor aos inimigos, a dar a outra face a quem lhe bater numa face, a orar pelos que lhe perseguem. O que dizer do resumo da lei feito por Jesus? “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”.

Ademais existem livros que explicam o contexto histórico em que tais ordens de Deus foram dadas aos filhos da Jacó e mostram como se justificam as ordens do Senhor.

 Por falta de vontade e aptidão para o erro, que nós todos temos, muitos são os que não investigam. A bíblia também diz: “Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus.” (Sl 10.4).

É realmente difícil ao homem decaído da presença de Deus procurar com honestidade encontrar o Senhor na criação, na bíblia ou no seu próprio coração, contudo não é impossível, há pessoas que querem ajudar aos que tem dificuldades para crer, ou melhor, que não sabem ao certo em quem acreditar, porém é preciso disposição para buscar os fatos e investigar. Se você, leitor, está querendo saber em quem deve crer, se esforce e busque, não seja duro de coração, não deixe que alguém ou alguma coisa te impeça de ter um encontro com o criador, nem mesmo você(ego).Se você é sincero Deus vai com certeza se mostrar a você. Investigue, mas investigue mesmo, pois se trata do seu destino eterno. Sejamos meticulosos.

Indico a leitura dos livros:

Introdução Bíblica; Norman L. Geisler e Wlliam E. Nix.

Manual Popular de Duvidas Enigmas e “contradições” da Bíblia; Norman Geisler e Thomas Howe.

Is God a moral monster? ; Paul Copan.

Pretendo postar aqui no blog respostas a algumas dúvidas mais frequentes sobre as escrituras sagradas, mas não posso colocar todas por conta do espaço que dispomos aqui. Se quiser mesmo se aprofundar no assunto leia os livros recomendados pelo autor deste blog. Faça a sua parte que Deus já fez a dEle! 

Anderson Oliveira da Silva

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Quem sempre existiu? Deus ou o universo?














Deus, posto que é transcendente ao tempo, a matéria e ao espaço, que passaram a existir por sua própria vontade e desígnio inteligente. A bíblia diz: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1.1). Subentende-se aqui que nada do que conhecemos hoje como universo existia, isso pela palavra empregada na descrição da criação, pois denota que tudo foi criado a partir de nada ( do Hb.ex nihilo). Essa resposta é tanto simples como também difícil. Como mostrar que o universo teve um início a partir de nada? E o que isso tem a ver com um Deus do tipo bíblico?


Os cientistas modernos já admitem que o universo nem sempre existiu (big-bang). Para demonstrar essa assertiva estudaremos um pouco do assunto abaixo. 
 
Poderíamos perguntar: O que causou o início do universo?

Visto que as leis da física e química não existiam, posto que tempo, matéria e espaço vieram a existir simultaneamente, uma causa que se baseie em leis físicas não satisfaz nossa pergunta. Esta causa teria que ser atemporal, pois criou o tempo, imaterial, pois criou a matéria e pessoal, pois uma causa eterna que não for pessoal não gera novas situações e, portanto não produz nada novo, mas a nossa causa gerou uma nova situação, o universo!

Espere um pouco; Como eu posso saber , com certeza, se o universo teve um começo?

Bem, para responder esse questionamento basta que nós observemos a escala da história e façamos uma análise. Pensemos assim: um tempo infinito antes de hoje denota que não há limite de dias anteriores, mas hoje é o dia final da história, o que significa que o universo teve um começo. É uma questão de lógica saber que o tempo precisa ter se iniciado e que nem sempre existiu. A teoria da relatividade nos mostra que é preciso matéria e espaço para que haja tempo e os três só existem juntos.

Também temos a nosso favor a segunda lei da termodinâmica. Esta lei é uma das mais bem estabelecidas e incontestáveis leis científicas cujas consequências todos nós sentimos no dia a dia. Ela nos mostra que o universo tem uma quantidade finita de energia útil e que um dia essa energia será totalmente convertida em trabalho (expansão do universo), isso mostra que o universo não é eterno, pois se o fosse já teria entrado em colapso e já haveria ocorrido o que a ciência chama de morte do calor. A morte do calor é um estado onde não pode existir vida, só existindo a matéria, porém não mais existindo energia útil para gerar trabalho. O que diz a segunda lei, em outras palavras, é que em todo sistema fechado a entropia do mesmo nunca diminui espontaneamente.

Conclusão: O universo está em expansão desde o big-bang e um dia a energia útil dele vai acabar e o cosmos vai entrar em colapso. Mas se o universo já existe por toda a eternidade passada a morte do calor já deveria ter ocorrido. Não sendo isso o que nós percebemos, é lógico raciocinar que o universo nem sempre existiu.

Ora, mas tudo que tem um começo tem uma causa; o universo teve um começo; logo teve uma causa. E o que tem isso? É simples, deixe-me explicar:

Somando os conceitos da termodinâmica com a teoria da relatividade, temos uma conclusão não muito satisfatória para quem defende um universo eterno e incausado. Graças à termodinâmica sabemos que o universo nem sempre existiu. Graças à teoria da relatividade entendemos que tempo, matéria e espaço devem existir juntos. Então estão provadas cientificamente as afirmações feitas no começo da postagem. A causa que gerou o surgimento do universo precisa ser atemporal, imaterial e pessoal. Por fim devemos admitir que tudo passou a existir a partir do nada, situação onde não havia tempo, matéria nem espaço. 

Existem outras evidências que apontam para a confirmação do universo como tendo um início. Fiquemos com essas por agora.

Glória a Deus!

Anderson Oliveira da Silva

terça-feira, 29 de maio de 2012

Porque a vida e como ela surgiu são provas de que Deus existe?


















Na verdade elas são provas de que Deus existe, porque são a forma mais racional de que dispomos para comprovarmos que uma mente inteligente andou contrariando as leis da física e química, para deixar rastros de suas mãos! Naturalmente as coisas tendem a se desorganizarem, a vida é o oposto disso, o máximo de organização e complexidade que podemos conhecer está em nossas cabeças; o cérebro humano é, para uma mente intelectualmente honesta, por demais complexo e organizado para ser fruto do acaso, e prova suficiente de que existe uma mente por trás de toda esta complexidade e ordem!

Como se trata do próprio criador Ele pode mexer nas leis naturais que criou para nós, isso é o que nós chamamos de fenômeno sobrenatural. Resumindo o que nós estamos querendo dizer, ficaria assim: Deus, um ser que tem todo o poder e sabe todas as coisas decidiu em sua soberana vontade criar o universo e o homem. E para que futuramente os homens não tivessem de que se desculparem por não tê-lo conhecido, fez tudo de forma que pudéssemos inferir a sua ação sobrenatural, ou seja, criou as leis naturais e fez a vida usando o seu poder extraordinário, contrariando a natureza, que como já dissemos por si só não gera tamanha complexidade e ordem que encontramos nos seres vivos, especialmente o homem.

Diz a Bíblia em Rm 1.18-22:

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens que detém a verdade em injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto tendo conhecido a Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.”

Para muitos a crença no Deus cristão não passa de fanatismo religioso e suicídio intelectual, porém essa visão está altamente em contraste com os próprios ensinos da Bíblia. Para você que tem essa visão recomendamos a leitura do livro de Provérbios e também Eclesiastes, que são livros da bíblia, manual dos cristãos. Em ambos os livros vemos o incentivo a buscar sabedoria e inteligência. Cremos em Deus baseados em sólida inteligência e estudo dos fatos, é claro que nem todos os cristãos sabem ao certo como ser um. Muitos não estudam a fundo para saber se estão certos ou não, mas isso não significa que Deus não possa ter se revelado a estes. Para crer em Deus basta sermos honestos com nossas próprias mentes e aceitarmos o seu chamado e a sua lei moral que está gravada em nossos corações. Não precisamos ser pessoas intelectualistas ao extremo e sabermos explicar tudo sobre Deus. Como se lê acima, uma maneira que Deus quis usar para se revelar aos homens foi a sua criação, isso nos leva a crer naquilo que não podemos ver (seu eterno poder), por isso é que cremos tão firmemente. Porque vemos a mão de um ser inteligente atuando para a manutenção da vida em nosso planeta, somos capazes de entender que Deus fez tudo isso, mas não somos capazes de entender tudo sobre Ele. Como dizia um professor meu: “Fácil ou difícil?”. 

O evangelho é simples. Deus não enviou Jesus para explicar como Ele fez o universo cientificamente, até por que Ele está acima da ciência dos homens. Deus o enviou para mostrar como é grande o amor que tem para com os que fez a sua imagem e semelhança. A mensagem do evangelho é de tal forma que é capaz de atingir o coração do intelectual e também daquele que não teve a oportunidade de frequentar uma escola. Acreditamos que é coisa boa e simples a mensagem de Jesus.

Disse Jesus:

 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28).

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenhais vida e a tenham com abundância.” (Jo 10.10). 

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14.6).

Na carta de Paulo aos romanos diz assim: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8).

Deus simplesmente criou o mundo e os homens para serem seus filhos em amor e obediência. E o maior desejo do Pai é que todos entendam este amor recebendo a Jesus, seu filho, como seu único salvador e Senhor. Pois todos pecaram e estão longe da glória de Deus. Para reconciliar sua criatura consigo mesmo o Senhor fez grande sacrifício, e tudo por amor e justiça. Pense nisso!
 Mesmo quando o rejeitamos, por ignorância ou arrogância, Ele nos ama.   

“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.” (1Jo 4.19).



Anderson Oliveira da Silva